Você sabe a diferença entre a FIV e a Mini-FIV?

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As técnicas de reprodução humana assistida reúnem um conjunto de tratamentos e procedimentos que têm o objetivo de proporcionar a gravidez para casais que encontram dificuldade no processo. Em minha prática clínica, reforço a importância de que cada técnica seja escolhida de acordo com a realidade e as características dos pacientes envolvidos.

Como são procedimentos médicos, essas técnicas inevitavelmente podem apresentar algumas complicações, que são minimizadas por métodos modernos e novas abordagens.

Um exemplo disso é o surgimento da Mini-FIV, que tem a proposta de ser um tratamento de reprodução humana mais acessível que a fertilização in vitro (FIV) tradicional. Porém, a mini-FIV não está indicada para todas as pacientes. No texto de hoje, falarei sobre as diferenças entre os dois procedimentos. Acompanhe!

O que é a Mini-FIV?

A Mini-FIV é uma variante da FIV e foi desenvolvida baseada na hipótese de que apenas 2 ou 3 óvulos são suficientes para a produção de embriões de qualidade em laboratório.

FIV comum utiliza doses altas de medicações que estimulam os ovários para gerar uma quantidade maior de óvulos e, assim, aumentar a chance de gravidez por ciclo de tratamento. A Mini-FIV tem foco na qualidade dos óvulos, não na quantidade, por isso as doses dos hormônios são menores. Porém, diversos estudos recentes têm evidenciado que o estímulo ovariano convencional não prejudica a qualidade dos óvulos.

Quais as diferenças entre a FIV e a Mini-FIV?

A principal diferença entre os dois procedimentos é a intensidade da estimulação ovariana. A Mini-FIV baseia-se no conceito de mínimo estímulo ovariano (MEO), com o objetivo de liberar menos óvulos após a estimulação (de 1 a 4 óvulos, no máximo). Já na FIV, são feitas diversas injeções para estimular a ovulação. Na Mini-FIV, o ciclo menstrual e as taxas hormonais naturais são aproveitadas para que o ovário seja estimulado no momento certo com baixas doses hormonais.

Outra diferença é o número de embriões gerados. O número de embriões gerados na FIV é alto, devido à quantidade grande de óvulos liberados. Os embriões excedentes devem ser congelados e podem ser utilizados para ciclos posteriores, se o primeiro ciclo não obtiver sucesso na gravidez. Isso aumenta as taxas cumulativas de gravidez por ciclo realizado.

A Mini-FIV produz poucos óvulos, portanto gera também poucos embriões. Dessa forma, de modo geral, todos os embriões gerados são implantados, embora esse número também dependa da idade da mulher, pois o Conselho Federal de Medicina (CFM) determina a quantidade de óvulos que pode ser transferida de acordo com a idade da mulher.

A Mini-FIV tem um custo mais acessível do que a FIV, pois os gastos com medicações de estimulação ovariana são menores e geralmente não há despesas de congelamento de embriões excedentes. Porém, todos os custos relacionados à punção ovariana e à parte laboratorial da fertilização são os mesmos da FIV convencional.

Quais as vantagens da Mini-FIV?

As principais vantagens da mini-FIV são para aquelas pacientes que apresentam uma baixa reserva ovariana e também para aquelas que já realizaram tratamentos com doses adequadas de hormônios para o estímulo ovariano, porém poucos óvulos foram produzidos. Nessas pacientes, o uso de doses altas de medicamentos não aumentará a quantidade de óvulos gerados durante um tratamento. Nesses casos, a mini-FIV torna o custo do tratamento mais acessível, pois haverá um menor gasto com medicação. Além do custo mais acessível, os defensores da Mini-FIV mostram outras potenciais vantagens desta estratégia, como:

  • redução dos efeitos colaterais que são comuns em tratamentos de reprodução humana (inchaço, alterações de humor, retenção de líquido), relacionados ao uso de hormônios e medicamentos em altas doses;
  • taxas de gestação semelhantes à FIV convencional para mulheres com baixa reserva ovariana, uma vez que a mesma quantidade de embriões pode ser formada nestas pacientes;
  • benefícios para casais que não desejam ter embriões excedentes;
  • diminuição do risco de gestação múltipla e das complicações relacionadas, já que menos embriões são transferidos para o útero da mulher;
    • porém, atualmente mesmo na FIV convencional também podem ser transferidos poucos embriões ou mesmo 1 único embrião para o útero materno. O fato de produzirmos diversos embriões durante uma FIV convencional não significa que teremos que transferir todos estes embriões para o útero da paciente;
  • o processo mais natural, com menos hormônios, torna o endométrio mais adequado para a implantação embrionária;
    • porém, atualmente, como as técnicas de congelamento embrionário são muito boas, os embriões que são congelados permanecem com a mesma qualidade de quando foram formados. Assim, nas situações em que o estímulo ovariano possa ter prejudicado o endométrio, podemos congelar todos os embriões e realizarmos a transferência embrionária em um ciclo posterior. Esta é a estratégia denominada “Freeze-all”.

Quais as desvantagens da Mini-FIV?

Apesar do custo mais acessível, a mini-FIV apresenta algumas desvantagens:

  • maiores taxas de cancelamento de ciclo, pois algumas pacientes não apresentam desenvolvimento de folículos durante a mini-FIV;
  • maiores taxas de não transferência embrionária, apesar de ter sido realizada a punção ovariana; isso ocorre porque algumas pacientes apresentam ovulação antes da realização da punção e nenhum óvulo é aspirado durante a punção; assim como devido ao fato de que algumas pacientes não formam embriões com o número reduzido de óvulos durante uma mini-FIV.

A Mini-FIV apresenta taxas de sucesso, por transferência embrionária, semelhantes àquelas da FIV quando os mesmos números de embriões são transferidos para o útero da paciente. Porém, quando consideramos as taxas cumulativas de gravidez por ciclo de estímulo ovariano, a FIV apresenta maiores taxas de gravidez. Isso ocorre porque com 1 único estímulo ovariano mais embriões serão formados, possibilitando o congelamento de embriões excedentes para posteriores transferências embrionárias. Assim, normalmente a mini-FIV possibilita 1 única transferência embrionária, enquanto a FIV normalmente possibilita mais de 1 transferência embrionária.

Indico o tratamento principalmente para mulheres com baixa reserva ovariana e que já tenham realizado o estímulo ovariano convencional e produzido poucos óvulos. As pacientes com boa reserva ovariana não apresentam benefícios com a realização da mini-FIV.

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Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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