Útero de substituição: saiba como funciona e quando é recomendado

Utero de substituicao saiba como funciona e quando e recomendado

Os avanços tecnológicos na área da medicina reprodutiva têm permitido, cada vez mais, que casais com dificuldades para engravidar encontrem uma solução para o seu problema. No consultório, nós especialistas avaliamos individualmente cada caso, para definir a técnica de reprodução assistida mais adequada, a fim de aumentar as chances de sucesso.

Em algumas situações, o problema está relacionado à impossibilidade de gerar o filho no útero da mulher ou mesmo a ausência de um útero para a gestação. A técnica de escolha, nesse contexto, pode ser o útero de substituição  conhecido popularmente como “barriga de aluguel”.

Elaborei o texto de hoje para tirar as dúvidas sobre essa técnica e suas indicações. Acompanhe!

O que é útero de substituição?

A técnica de útero de substituição, também conhecida como cessão temporária de útero, é um procedimento que consiste em uma mulher ceder seu útero para a geração de um bebê fertilizado em laboratório pelo espermatozoide e óvulo de outro casal, os pais biológicos, ou, em alguns casos, por gametas doados.

Em outras palavras, uma mulher saudável “empresta” seu útero para casais que apresentam dificuldades ou impossibilidade de engravidar.

Como funciona?

Para a realização da técnica do útero de substituição, o casal passará por um processo de fertilização in vitro (FIV) antes de o embrião ser transferido para o útero que foi cedido. As etapas do processo são:

  • estimulação ovariana da mulher, com uso de hormônios injetáveis e acompanhamento por ultrassom;
  • coleta de óvulos e de espermatozoides do casal;
  • fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório e formação dos embriões (fertilização in vitro);
  • transferência dos embriões para o útero da cedente (procedimento indolor que não requer anestesia).

Enquanto os pais biológicos fazem os procedimentos de fertilização, a cedente do útero faz uso de hormônios para preparar seu endométrio para receber os embriões.

Um fato importante que sempre reforço com o casal é que as chances de sucesso da técnica estão relacionadas com a idade dos pais (principalmente da mulher) e a “qualidade” dos gametas, não com a idade da cedente do útero. Até mesmo mulheres na menopausa podem ceder seu útero.

A cedente do útero deve pertencer à família até o 4º grau de parentesco, como explicarei melhor adiante. Para que uma mulher que não seja parente de até 4o grau seja a pessoa a ceder o útero, é necessária uma liberação do Conselho Regional de Medicina (CRM) para que o tratamento possa ser realizado.

Quando é indicado?

As indicações para o uso da técnica do útero de substituição são muito específicas e precisam ser respeitadas. Elas incluem:

  • mulheres que precisam retirar o útero, após câncer, mioma, endometriose ou outro problema;
  • mulheres que nasceram sem útero ou com alteração congênita do útero;
  • mulheres com alterações muito importantes na cavidade uterina, que impedem a gravidez (exemplo: presença de miomas extensos e em grande quantidade, adenomiose importante, aderência extensa);
  • mulheres com doenças graves que contraindiquem uma gestação (exemplo: doenças cardíacas graves, autoimunes, etc.);
  • casais homoafetivos masculinos.

Qual a legislação vigente sobre o assunto?

Existem diversos aspectos éticos e jurídicos envolvidos na utilização da técnica do útero de substituição. Antes da realização do procedimento, esclareço todas essas questões com os pais para prevenir complicações futuras.

resolução nº 2.168/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece as normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida:

  • a técnica pode ser utilizada por casais com um problema médico que impeça ou contraindique a gestação ou por casais homoafetivos (demais casos devem ser julgados pelo Conselho Regional de Medicina);
  • a cedente do útero deve pertencer à família de um dos parceiros em parentesco de até 4º grau (primeiro grau – mãe/filha; segundo grau – avó/irmã; terceiro grau – tia/sobrinha; quarto grau – prima);
  • a cessão temporária do útero não pode ter caráter lucrativo ou comercial;
  • termos de consentimento devem ser assinados por todos os envolvidos (sobre aspectos biopsicossociais, riscos envolvidos no ciclo gravídico-puerperal e  aspectos legais da filiação);
  • é necessário relatório médico com perfil psicológico que atesta que todos os envolvidos têm adequação clínica e emocional.

O útero de substituição é mais uma técnica de reprodução assistida que pode auxiliar os casais a realizar o sonho de ter um bebê.

Se você e seu parceiro acreditam que o útero de substituição é a técnica adequada para sua situação, entre em contato e agende uma consulta.

Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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