Ovodoação

Ovodoação

Temos como fato comprovado que mulheres após os 40 anos passam por uma redução natural do potencial fértil e, por consequência, apresentam chances menores de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida.

O insucesso nos tratamentos de reprodução assistida em paciente em idade mais madura, se deve, principalmente, a qualidade dos óvulos produzidos e utilizados. Por se tratarem de óvulos já fora de sua qualidade plena, acabam gerando embriões de má qualidade que não conseguem se implantar. Ou, nos casos mais raros em que a implantação ocorre, a paciente pode passar por abortos ou os bebês podem nascer com alterações cromossômicas, como, por exemplo, a Síndrome de Down.

A baixa reserva ovariana também pode tornar difícil a coleta e seleção de bons óvulos para a implantação via Fertilização In Vitro, tornando necessário realizar um número maior de estimulações para a coleta de óvulos, normalmente entre duas ou três.

Gráfico: Chances de Anomalías Cromosómicas de Acordo com a Idade Materna

 

Um alternativa para evitar o desgaste e resultados negativos, então, seria a ovodoação.

No Brasil a ovodoação é obrigatoriamente anônima e feita sem fins lucrativos. Desta forma as clínicas especializadas em reprodução humana mantêm um registro permanente dos doadores, contendo dados clínicos de caráter geral, como as características físicas e exames que comprovem seu bem-estar.

A escolha da doadora é baseada na máxima compatibilidade física e imunológica e na máxima compatibilidade entre as pacientes doadoras e receptoras. Todas as voluntárias de doação devem ter menos que 35 anos de idade; bom nível intelectual; histórico negativo para doenças genéticas transmissíveis e testes negativos para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis, além de tipagem sanguínea compatível com o da paciente receptora.

O tempo de espera para encontrar uma doadora compatível dependerá muito do perfil que a paciente procura. Algumas etnias e tipagens sanguíneas podem ser mais difíceis de encontrar doadoras compatíveis do que outras.

Uma vez encontrada a compatibilidade ideal entre a doadora e a receptora, sem se conhecer e em dias diferentes, ambas deverão assinar termos de consentimento exigidos pela legislação médica brasileira, e então o tratamento será iniciado.

As duas partes podem iniciar o tratamento juntas, a doadora realizando a indução de ovulação, e a paciente receptora estará tomando as medicações necessárias para preparar o útero à receber o embrião.

Quando os óvulos da doadora estão maduros para serem coletados, ela passará pelo procedimento de uma Fertilização In Vitro, onde os óvulos doados serão removidos e então fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro da paciente receptora.

Os tratamentos podem também ser realizados de maneira não sincronizada entre doadora e receptora. Nestes casos, a fertilização in vitro será realizada, com a formação dos embriões e congelamento destes para posterior transferência para o útero da receptora.

Ainda seguindo os protocolos da FIV, a transferência dos embriões para o útero da paciente receptora é realizada normalmente no terceiro ou quinto dia de desenvolvimento celular. Segundo a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM nº 2013/13), o número máximo de embriões que podem ser implantados são de dois.