Congelamento de Óvulos

Congelamento de Óvulos

A criopreservação de oócitos maduros é um método utilizado em mulheres em idade reprodutiva com o objetivo de preservar o potencial fértil. A criopreservação refere-se ao processo de resfriamento celular a temperaturas abaixo de 0 graus Celsius, com o objetivo de parar todas as atividades biológicas celulares preservando-as para utilização futura. O advento da técnica de vitrificação oocitária talvez tenha sido um dos passos mais importantes dados pela medicina reprodutiva nos últimos anos. Atualmente, ela possibilita a manutenção da autonomia reprodutiva feminina, tornando possível para a mulher preservar seu potencial reprodutivo, seja por indicação médica ou ou desejo pessoal.

Entre as indicações médicas, podemos citar: casos de pacientes que serão submetidas à tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia, que podem acarretar um prejuízo à função ovariana ou mesmo uma falência ovariana prematura; pacientes que passarão por tratamentos quimioterápicos para doenças imunológicas; pacientes que serão submetidas à cirurgias extirpadoras como em casos de cirurgias para endometriose ou outras doenças benignas ovarianas.

O congelamento de óvulos também é indicado nos casos em que, por motivos pessoais ou profissionais, a mulher deseja postergar ou mesmo não tenha definido ainda se desejará uma gestação no futuro. Nestes casos, a mulher submete-se ao procedimento para o congelamento de óvulos em um idade mais precoce, idealmente abaixo dos 36 anos, apesar de não existir uma idade que contraindique o procedimento, e caso no futuro não obtenha uma gestação de maneira natural e necessite de um tratamento de reprodução assistida, poderá utilizar estes óvulos congelados previamente.

A criopreservação oocitária e a utilização futura destes óvulos congelados pode aumentar em muito as chances de gravidez de uma paciente e diminuir alguns riscos obstétricos relacionados com o avançar da idade materna feminina. Sabe-se que o relógio biológico feminino faz com que o passar dos anos diminua a quantidade de óvulos que a mulher possui, uma vez que ela já nasce com todos os óvulos que terá durante toda sua vida, até que chegue em um certo limite e esta entre na menopausa.

Talvez ainda mais importante que a diminuição da reserva ovariana esteja o fato da piora da qualidade oocitária, que também ocorre com o passar dos anos. Esta piora leva a uma menor chance de gravidez, maiores riscos de abortamentos, malformações e síndromes com o avanço da idade. Estas alterações passam a ser mais significativas após os 36 anos de idade.

Congelamento de Óvulos

A criopreservação de células e tecidos não tornou-se realidade até meados do século 20. Os esforços iniciais para a criopreservação não foram efetivos inicialmente, porque as técnicas até então utilizadas com o simples resfriamento celular levavam à danos celulares. Na década de 1940, foi descoberto que o glicerol poderia proteger o espermatozoide das lesões durante a criopreservação e descongelamento. O primeiro nascimento descrito de sêmen criopreservado ocorreu no ano de 1953.

Na década de 1970 foram identificados outras substâncias crioprotetoras e com o desenvolvimento e aperfeiçoamento nas técnicas de congelamento foi possível fazer com que o congelamento ocorresse de maneira lenta, te tal forma que permitisse a desidratação celular para minimizar a formação de cristais de gelo intra-celular. Estes avanços levaram ao nascimento do primeiro nascimento com a utilização de embrião congelado no ano de 1984. No ano de 1986, o primeiro nascimento após a utilização de óvulo congelado ocorreu.

As técnicas até então utilizadas eram bastante efetivas para o congelamento espermático e mesmo embrionário. Porém, os resultados para o congelamento oocitário eram desanimadores, com baixa taxa de “sobrevivência” oocitária pós descongelamento e baixíssimas taxas de gravidez com a utilização de oócitos descongelados. Para que fosse possível melhorar os resultados foi desenvolvida, durante a década passada, uma técnica alternativa ao congelamento lento, método até então utilizado.

vitrificação surgiu como um processo de criopreservação que utiliza altas concentrações iniciais de substâncias crioprotetoras e o resfriamento é realizado de maneira ultra-rápida , levando o material ao estado vítreo em poucos segundos, o que gera um dano celular mínimo e muito menor do que o ocorrido com as outras técnicas de tratamento. Atualmente, existem evidências de que as taxas de fertilização e de gravidez chegam a serem similares em pacientes submetidas a tratamentos com a utilização de óvulos congelados ou embriões à fresco. Os óvulos podem permanecerem congelados por prazo indeterminado e não existem evidências de que o congelamento ou o prazo pelo qual permanecem congelados possa causar alguma repercussão nas crianças geradas com este material.

Segundo as recomendações da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva até o ano de 2008 o procedimento de criopreservação oocitária ainda era considerado experimental. A partir de 2012, em um atualização e nova publicação de suas recomendações baseada nas evidências científicas acumuladas até então, a criopreservação oocitária passou a não ser mais considerada uma técnica experimental.