Menopausa precoce tem cura? Tire suas dúvidas!

Menopausa precoce

As técnicas de reprodução assistida que utilizo em meu consultório permitem que mulheres mais velhas possam engravidar. Porém, se quiserem um filho gerado do próprio óvulo, é preciso que a gravidez ocorra antes da menopausa.

A menopausa é o termo utilizado para designar a última menstruação da mulher, que é confirmada após 12 meses sem menstruar e indica que não esta acontecendo a ovulação. Ela costuma acontecer por volta dos 50 anos, mas em algumas mulheres pode se apresentar antes do tempo. Quando ocorre antes dos 40 anos, é chamada de menopausa precoce.

Falarei sobre essa condição no texto de hoje para que você entenda melhor sobre o assunto e tire suas dúvidas. Acompanhe e descubra se a menopausa precoce tem cura!

1. Quando a menopausa é considerada precoce?

O termo técnico para a menopausa precoce é falência ovariana prematura (FOP). Ela significa que a mulher iniciou um processo de falência dos ovários antes do período esperado. Segundo as diretrizes da Associação Médica Brasileira, a menopausa é considerada precoce quando ocorre antes dos 40 anos da mulher e o problema atinge 1% da população feminina.

Este é um diagnóstico que deve ser feito com muita cautela, pois muitas das pacientes têm uma função ovariana irregular, isto é, apresentam menstruações desordenadas e ovulações imprevisíveis.

O nome menopausa precoce tem sido reavaliado entre nós especialistas, pois traz uma sensação de permanência, sendo que é possível o retorno da ovulação após o diagnóstico.

2. Quais os sintomas?

Assim como a menopausa comum, a menopausa precoce é caracterizada pela ausência de menstruação, a amenorreia. O que observo em meus atendimentos é que muitas mulheres só percebem os sintomas quando deixam de tomar a pílula anticoncepcional e começam a tentar engravidar, pois o contraceptivo pode mascarar os outros sintomas.

Os sintomas são os mesmos da menopausa, que indicam a desregulação hormonal causada pela falência dos ovários, e incluem:

  • oscilações de humor;
  • secura vaginal;
  • diminuição da libido;
  • ondas de calor e suores noturnos;
  • insônia;
  • irregularidade da menstruação;
  • aumento de peso sem motivo aparente;
  • falta de energia.

3. Quais as causas?

Na maioria dos casos, a menopausa precoce é considerada idiopática, isto é, sem causa aparente. Nos demais, pode ocorrer devido a uma ou mais causas, que incluem:

  • histórico familiar de menopausa precoce;
  • remoção de parte dos ovários ou cirurgias pélvicas;
  • quimioterapia e radioterapia, por interferirem no processo de multiplicação das células;
  • defeitos genéticos, que provocam distúrbios ovarianos;
  • doenças autoimunes, que bloqueiam os receptores dos hormônios envolvidos na ovulação;
  • tabagismo e uso de drogas, que comprometem o funcionamento dos ovários.

4. Menopausa precoce tem cura?

Como citei, a menopausa precoce não necessariamente significa uma falência irreversível dos ovários. Alguns tratamentos podem ser instituídos para a melhora dos sintomas, prevenção de complicações ósseas e cardíacas (mais comuns após a menopausa) e até gravidez na paciente jovem.

Mesmo após o diagnóstico, algumas mulheres podem apresentar ciclos ovulatórios, já tendo sido descritas gestações espontâneas em mulheres com menopausa precoce.

É importante um acompanhamento adequado com seu médico para que seja instituído o tratamento adequado para o quadro. Em algumas situações, pode ser necessário o uso de terapia hormonal.

Muitas pesquisas estão ocorrendo para o desenvolvimento de um tratamento adequado para a gravidez de mulheres com quadro de menopausa precoce. Todos eles, ainda são considerados experimentais e ainda não são utilizados de maneira rotineira na prática clínica.

5. É possível evitar ou reverter a infertilidade nesses casos?

Para a prevenção ou tratamento da infertilidade causada pela menopausa precoce, as abordagens que utilizo são:

  1. técnicas de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos, indicado para pacientes que serão submetidas a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, ou que têm histórico na família, assim como para mulheres entre os 30-35 anos que ainda não definiram se desejam uma gestação ou mesmo quando seria a tentativa de gestação;
  2. indução da ovulação ou fertilização in vitro em pacientes que ainda apresentam alguma função ovariana;
  3. ovodoação, se o ovário realmente já tiver entrado em falência completa.

É de extrema importância que a mulher esteja atenta a seu corpo, assim como a realização de consultas ginecológicas de rotina. A observação dos sintomas e a identificação antecipada da falência ovariana é fundamental para o sucesso do tratamento. A menopausa precoce é uma condição que pode ser tratada e precisa ser acompanhada pelo médico especialista em reprodução humana se a mulher tem o desejo de engravidar.

Esse artigo tirou suas dúvidas sobre a menopausa precoce? Então continue a visita no blog e leia meu texto sobre como é a primeira consulta com um especialista em reprodução humana!

Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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