Mitos e Verdades

Se eu fizer tratamentos para fertilidade, vou ter gêmeos ou trigêmeos.    

Mito. Em todos os tipos de tratamento para infertilidade, incluindo a Inseminação Artificial e Fertilização In Vitro, apenas 20% dos casos resultam em mais de um bebê por tentativa.

Mulheres com útero invertido podem engravidar.    

Verdade. A inversão do útero não caracteriza nenhuma anormalidade à fertilidade feminina e não diminui as chances de gravidez do casal de maneira natural ou com tratamentos de reprodução assistida.

O uso de anticoncepcionais por tempo prolongado pode levar à infertilidade. 

Mito. A pílula anticoncepcional não interfere na fertilidade natural feminina, bastando a paciente parar com o medicamento para estar apta novamente a engravidar.

O que pode ocorrer com a suspensão do medicamento, é a aparição de outros problemas relacionados a infertilidade, como a endometriose e a síndrome do ovário policístico, que o anticoncepcional ajudava a ocultar.

Se eu manter relações sexuais no dia exato da ovulação, vou engravidar. 

Mito. Mesmo se o casal mantiver relações sexuais constantes durante todo o mês, incluindo o período fértil, a probabilidade de engravidar continua sendo de 20%. Na relação sexual programada é definido o período fértil da mulher para direcionar as relações sexuais para este período, isso potencializa as chances de gravides, mas não pode-se dizer que será uma gestação garantida.

É possível engravidar mesmo com apenas um ovário e uma trompa. 

Verdade. Pacientes que se submeteram a cirurgia para retirada parcial de um ovário ou trompa, continuam aptas a gerar um bebê. Para isso, basta que tenham o útero, um ovário e uma trompa em condições normais.

Mulheres com síndrome do ovário policístico não podem engravidar. 

Mito. Pacientes com SOP podem ter dificuldades ou não ovular todos os meses, o que dificulta a concepção mas não a torna impossível, desde que feito o tratamento adequado.

Quanto mais idade a mulher tiver, mais difícil será engravidar. 

Verdade. A partir dos 35 anos, tanto a quantidade como a qualidade dos óvulos produzidos pelo organismo entram em um gradativo declínio. Assim, se torna comum que mulheres acima dos 35 tenham maiores dificuldades para uma concepção natural, assim como aumentam os riscos de aborto conforme a idade da mulher avança.

Alimentos popularmente conhecidos como afrodisíacos aumentam as chances de gravidez.

Mito. A libido não tem relação direta com a fertilidade. Desta forma, mesmo que o casal pratique atividade sexual com frequência, ainda podem haver problemas no momento da concepção.

Mulheres que passaram por abortos não naturais terão chances reduzidas de engravidar no futuro. 

Mito. Se o procedimento foi realizado em ambiente sanitário e seguro, muito raramente trará consequências futuras. Abortos espontâneos que venham a ocorrer em até nove semanas de gestação, também não costumam apresentar risco à saúde e fertilidade feminina, já que a anatomia do útero permanece intacta.

Pacientes que realizaram curetagem não podem mais engravidar.

Mito. O procedimento de curetagem, que serve para remover as sobras de endométrio após uma gravidez interrompida, só poderá causar infertilidade se for conduzido de forma inapropriada, causando danos à estruturas fundamentais, como ao endométrio e de maneira indireta às trompas.

O uso da pílula do dia seguinte interfere na fertilidade.

Mito. Inicialmente, a pílula do dia seguinte não constitui um método contraceptivo 100% eficaz, a gravidez pode ocorrer mesmo com seu uso. Além disso, ela não influência as tentativas futuras de concepção ou causa qualquer dano ao aparelho reprodutor.

Mesmo recorrendo a todos os tratamentos de reprodução humana disponíveis ainda há a possibilidade de que eu não consiga engravidar com meus óvulos. 

Verdade. Em alguns casos, como menopausa precoce e mulheres com baixa quantidade / qualidade dos óvulos, o casal só poderá gerar uma criança com tratamentos com óvulos doados.

Fumar afeta a fertilidade.

Verdade. Nos homens, o tabagismo atinge diretamente a produção dos espermatozoides e, nas mulheres, afeta a qualidade dos óvulos. Pesquisas clínicas comprovam que não apenas o habito do fumo, mas também consumir bebidas alcoólicas em excesso, anabolizantes e outras drogas podem contribuir para a infertilidade.

A boa alimentação está relacionada com taxa de fertilidade.    

Verdade. Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos específicos, podem ajudar o casal. Alimentos que contém ômega 3, como, por exemplo, nozes, ervilhas e peixes, ajudam o sistema reprodutivo.

Ao mesmo tempo, homens que consomem grandes quantidades de carne vermelha e alimentos gordurosos tendem a apresentam menor fertilidade, devido ao alto nível de hormônios destes produtos.

Chás naturais ajudam a engravidar.

Mito. Não há nenhuma comprovação que indique que a ingestão de chás ajudem a engravidar. O único beneficio real em chás naturais seria, em alguns caos, deixar as pacientes mais tranquilas, diminuindo a ansiedade ao enfrentar um tratamento de infertilidade.

Mulheres vegetarianas têm maior dificuldade para engravidar.    
Mito. Se a paciente seguir uma dieta for balanceada, garantindo a ingestão das quantidades ideais de proteínas, fibras, minerais e vegetais, além de carboidratos e gorduras, não há com o que se preocupar.
O sobrepeso é um agravante da infertilidade.    

Verdade. O sobrepeso é um agravante não apenas para a fertilidade feminina, como também masculina. As mulheres estão mais sujeitas a disfunções hormonais e ovulatórias quando estão acima do peso, mas os homens também são muito prejudicados com as alterações metabólicas que podem danificar a qualidade dos espermatozoides.

O estresse diário contribui para a infertilidade.

Mito. Não existe uma forte evidência científica relacionando o estresse diário e seu impacto sobre a fertilidade. O que pode ocorrer é a sobrecarga emocional interferir no ciclo ovulatório, embora os casos em que o estresse chegue a impedir a ovulação sejam baixos. Para os homens, o estresse pode provocar a falta de libido e, em alguns casos, disfunção erétil.

A maior responsável pela infertilidade do casal é sempre a mulher.    

Mito. A infertilidade não escolhe sexo e atinge homens e mulheres em proporções iguais. Se estima que em 30% dos casos o problema se encontra no lado feminino. A mesma taxa de 30% se aplica para o lado masculino do casal, tendo ainda uma porcentagem de 30% em que o caso de infertilidade se deve ao casal. Para fechar os 100% ainda restam 10% onde não são constatados os motivos da infertilidade, chamamos estes fatores indeterminados de Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA).

A idade da mulher está diretamente relacionada com a infertilidade.

Verdade. A perda da fertilidade começa a acontecer desde o momento do nascimento da mulher. O relógio biológico feminino conta com a quantidade de óvulos total que a mulher terá disponível e os melhores óvulos são os primeiros a serem perdidos.

Aos 25 anos mais de 70% desses óvulos já foram eliminados pelo corpo nos ciclos menstruais. Após os 35 anos a situação se torna ainda mais complicada, pois estima-se que a reserva ovariana esteja em apenas 10%. Além disso, existe uma queda na qualidade do óvulo de maneira progressiva, dificultando a gestação natural ou com óvulos próprios durantes os tratamentos de reprodução assistida em mulheres acima dos 40 anos de idade.

Congelamento de óvulos é uma alternativa segura para quem pretende postergar a gravidez e teme a infertilidade.

Verdade. Os tratamentos que usam a técnica do congelamento de óvulos apresentam as mesmas taxas de sucesso quando comparadas a um procedimento realizado com óvulos que não passaram pelo processo de congelamento.

Essa técnica também é indicada para mulheres que estejam passando por tratamentos de doenças que comprometem a fertilidade.

Óvulos e sêmen congelados têm prazo de validade.

Mito. As técnicas de criopreservação congelam os óvulos e espermatozoides coletados a menos 196ºC, o que garante uma preservação por tempo indeterminado, preservando as células que, ao serem descongeladas, têm ótimas chances de fecundação.

Mulheres que menstruam muito cedo ou muito tarde terão dificuldades para engravidar.
Mito. Não existe relação comprovada entre a idade da primeira menstruação com a capacidade fértil da mulher. A única dificuldade possível de mencionar, seria que mulher cuja primeira menstruação aconteceu muito cedo terão, por consequência, o fim da vida útil de seus ovários também mais cedo.
Homens que tiveram caxumba podem ter ficado estéreis. 

Verdade. A caxumba pode prejudicar seriamente a produção dos espermatozoides, mesmo que o paciente tenha ficado de repouso absoluto durante a doença. . É necessário que o paciente tenha tido um processo inflamatório / infeccioso em região testicular após / concomitantemente à caxumba. Um espermograma completo é sempre o primeiro passo na investigação de uma possível sequela deixada por esta doença.

O uso de laptops no colo deixa o homem estéril.

Mito. Não existe nenhuma comprovação científica que ligue uma o uso de laptops diretamente no colo com a infertilidade masculina. Entretanto, muitos médicos aconselham que os homens evitem essa prática, já que altas temperaturas na região próxima aos testículos podem prejudicar a produção de espermatozoides.

A proximidade a metais pesados impactam a fertilidade.    

Verdade. Metais como cobre, chumbo, níquel e mercúrio, cádmio, arsênio e ouro, podem, sim, afetar a fertilidade tanto feminina quanto masculina, pois de tratam-se de substâncias tóxicas ao corpo que causam má formação nas células reprodutivas além de atrapalhar sua produção.

Tratamentos de quimioterapia e radioterapia causam infertilidade.    

Verdade. Durante os tratamentos de quimioterapia e radioterapia as células reprodutivas sofrem alterações genéticas importantes, podendo levar a infertilidade. Nesse caso indica-se o congelamento de óvulos ou sêmen antes do início dos tratamentos quimioterápicos.

Quem tem ou teve doenças sexualmente transmissíveis pode ser infértil.

Verdade. DSTs como clamídia ou gonorreia respondem por aproximadamente 15% das causas de infertilidade nas mulheres e cerca de 10% nos homens. Essa doenças alteram a produção dos espermatozoides e provocam inflamações nos órgãos do aparelho reprodutor feminino, podendo, por exemplo, levar à obstrução das tubas uterinas.

O diabetes afeta a fertilidade.

Verdade. O diabetes do tipo I e II provocam transtornos hormonais que afetam diretamente a fertilidade feminina. No caso dos homens a doença pode causar a fabricação de espermatozoides defeituosos, incapazes de fecundar o óvulo, assim como à ejaculação retrógrada.