Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

A síndrome do ovário policístico é caracterizada por um desequilíbrio hormonal, estando associada à presença de múltiplos folículos ovarianos. Apesar da presença de diversos folículos, na maioria dos ciclos menstruais nenhum destes folículos desenvolvem-se devido às alterações hormonais. Isto faz com que na maioria dos ciclos menstruais não ocorra ovulação, levando-se ao atraso menstrual.

A síndrome do ovário policístico é caracterizada por alterações hormonais em que ao invés de se formar um único folículo no ovário como seria natural, formam-se vários que então se acumulam, impedindo esses folículos de se romperem e liberar os óvulos.

A síndrome do ovário policístico tem caráter hereditário, sendo observado que filhas e irmãs de mulheres com SOP tem 50% a mais de chances de desenvolver esta doença.

Síndrome do Ovário Policístico

O diagnóstico da SOP é feito através do histórico de queixas da paciente, somado de exames clínicos e laboratoriais. Entre eles:

Menstruação irregular: uma das principais características da SOP. As menstruações acontecem esporadicamente podendo acontecer até 90 dias de intervalo entre elas. Fluxos mais intensos que o normal e cólicas fortes também são sintomas frequentes.

Obesidade: aproximadamente 50% das mulheres portadoras da SOP estão acima do peso, com um Índice de Massa Corpórea (IMC) acima dos 25. Esse sintoma, apesar de comum entre as pacientes com está síndrome, é alarmante para complicações futuras já que a circunferência abdominal superior a 80 cm está relacionada com problemas cardíacos.

Infertilidade: devido às menstruações irregulares e alterações hormonais, as pacientes de SOP passam a ovular de forma inconstante ou inadequada, podendo ter dificuldades para engravidar. Além disso, essas pacientes costumam ter um índice maior de abortamentos.

Hirsutismo: consiste no aparecimento de pelos em locais onde normalmente não existem no corpo feminino, como por exemplo, a face, tórax, glúteos e ao redor dos mamilos.

Acne: cerca de 30% das mulheres portadoras da síndrome do ovário policístico apresentam um aumento considerável de erupções cutâneas, principalmente na região facial.

Alopecia: caracterizada pela queda em excesso de cabelos na região do couro cabeludo, principalmente na região frontal. Muito comum aos homens e raro nas mulheres, a alopecia é um sinal que a paciente está passando por alterações hormonais.

Entre os exames complementares necessários para o diagnóstico da SOP, estão:

Ultrassom Transvaginal: neste exame observa-se o volume e a textura do ovário, assim como a presença de pequenos cistos (folículos), já que um dos sinais dessa síndrome se caracteriza pela presença de um número elevado de cistos em cada ovário, todos medindo em torno 2 a 9 mm em diâmetro.

Resistência à insulina: em doenças como a síndrome do ovário policístico a insulina, hormônio responsável por facilitar a entrada da glicose nas células, apresenta falhas na sua ação, levando ao acúmulo de glicose no sangue. Por isso os exames para investigara resistência à insulina são de suma importância, tanto para o diagnóstico como para a prevenção e tratamento de complicações futuras.

Síndrome do Ovário Policístico

Tratamentos

Os tratamentos de ovário policístico visam regularizar as menstruações, amenizar as cólicas e combater o excesso de hormônios masculinos, assim como prevenir o câncer do endométrio, diminuir o risco de diabetes e doenças cardiovasculares.

Para as pacientes que estão tentando engravidar os tratamentos focam no sucesso da gestação e diminuir complicações em seu decorrer, como abortos e diabetes gestacional.

Tratamento medicamentoso: os tratamentos devem ser escolhidos de acordo com cada caso, levando em contas as expectativas e as necessidades da paciente. Por exemplo, se a paciente não estiver interessada em ter filhos no momento, e estiver incomodada com a irregularidade menstrual e cólicas, o uso de anticoncepcionais pode ser a escolha indicada.

Tratamento Cirúrgico: indicado somente em situações extremas e excepcionais, onde todos os demais tratamentos clínicos falharam ou não obtiveram bons resultados. Normalmente realizada por videolaparoscopia, onde pequenos furos são realizados nos ovários, fazendo-os diminuírem de tamanho e, por consequência, melhoram o quadro ovulatório.