Existe relação entre a FIV e a gestação múltipla?

Existe relação entre a FIV e a gestação múltipla?

2Muitos casais chegam ao meu consultório desejando uma gravidez de gêmeos pela fertilização in vitro (FIV) ou com a noção de que é possível escolher quantos filhos ter com o uso dessa técnica.

Embora o número de nascimentos de gêmeos realmente seja maior com a FIV, o objetivo do procedimento é gerar uma gravidez única, e existem várias limitações legais e médicas para que isso ocorra na maioria dos casos.

Quer entender melhor qual é a relação entre a FIV e a gestação múltipla? Continue a leitura e confira minhas respostas para as principais dúvidas sobre esse tema!

O que é uma gestação múltipla?

Gestação múltipla é o nome dado a qualquer gestação que gere mais de um bebê — como gêmeos, trigêmeos etc.

Qual a relação entre a FIV e a gestação múltipla?

Como cada ciclo de FIV gera um estresse físico e emocional ao casal — e nem sempre o embrião transferido ao útero consegue se implantar e se desenvolver —, os especialistas em reprodução tentam aumentar a chance de sucesso do procedimento ao máximo.

Para isso, é muito comum que mais de um embrião seja transferido ao mesmo tempo, de acordo com as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), que levam em consideração a idade da mulher que produziu os óvulos. Mas, quando mais de um desses embriões consegue se implantar adequadamente, tem-se uma gestação múltipla — o que implica em mais riscos para a futura mamãe e para os bebês. Assim como pode ocorrer de um embrião transferido dividir-se e termos uma gestação múltipla com maior número de bebês gerados do que o número de embriões transferidos.

Qual a chance de uma gestação múltipla na FIV?

Em países em que a legislação médica é rigorosa e as técnicas de reprodução assistida são bem avançadas, a estimativa é que 1 a cada 4 gestações por FIV seja múltipla. Em sua maioria, essas gravidezes são de gêmeos, mas também há casos de trigêmeos ou mais.

No Brasil, algumas estimativas mostram que mais de 40% das gestações por FIV são múltiplas e que o número de gêmeos na população em geral já aumentou quase 30% de 2004 a 2014.

Quantos embriões podem ser transferidos para o útero a cada ciclo de FIV?

Em 2010, o Conselho Federal de Medicina passou a regular a quantidade de embriões a ser transferida e limitou o número de acordo com a idade da mulher, um dos principais fatores que determinam o sucesso de todo o processo.

Assim, mulheres até 35 anos podem receber no máximo dois embriões por ciclo de FIV, enquanto mulheres com idade entre 36 e 40 anos recebem até três embriões e, acima dessa idade, até quatro. Com essas regras, o número de gestações múltiplas reduz consideravelmente.

No caso de útero de substituição ou de uso de óvulos doados por casais homoafetivos, o que importa é a idade da mulher que passou pelo processo de coleta de óvulos.

Por que a gestação múltipla oferece riscos?

Apesar de todos os cuidados pré-natais, gestações múltiplas ainda estão associadas a uma chance maior de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, rotura prematura de membranas (rompimento da bolsa antes do trabalho de parto) e parto prematuro.

Para os bebês, além da prematuridade, é comum haver ainda um baixo peso ao nascimento e uma maior incidência de problemas respiratórios e neurológicos nos primeiros meses de vida, o que pode inclusive levar ao óbito.

É possível transferir apenas um embrião por ciclo?

Atualmente, em casos bem específicos em que o casal é jovem e espera-se uma alta taxa de sucesso, é possível realizar a transferência de um único embrião, uma técnica denominada de Single Embryo Transfer (SET), em inglês. A SET também é muito realizada em casos em que realiza-se uma avaliação genética no embrião antes da transferência embrionária, selecionando-se um embrião cromossomicamente normal para a transferência (técnica chamada de PGS – screening genético pré-implantacional). Também tem sido muito utilizada nos casos em que a transferência embrionária é realizada no estágio de blastocisto.

A tendência é que com o avanço das técnicas de reprodução assistida, a SET seja indicada para cada vez mais mulheres e se torne o padrão durante a realização da FIV.

Ainda ficou com dúvidas em relação à FIV e à gestação múltipla? Deixe um comentário aqui embaixo.

Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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