Desvendando um mito: a pílula anticoncepcional causa infertilidade?

Desvendando um mito: a pílula anticoncepcional causa infertilidade?

Usada há mais de 50 anos pelas mulheres, a pílula anticoncepcional continua sendo um dos métodos contraceptivos mais utilizados para prevenir uma gravidez indesejada, além de ser uma boa opção para regular o ciclo menstrual e aliviar sintomas pré-menstruais.

No momento em que a mulher pretende engravidar, a interrupção deste medicamento pode abrir espaço para uma concepção natural. Porém, isso pode não acontecer e causar dúvidas e inseguranças.

Neste post, desvendarei um grande mito relacionado à pílula anticoncepcional: a ideia de que ela causa infertilidade. Continue a leitura e entenda como a pílula funciona e quais fatores podem atrapalhar a ocorrência de uma gravidez:

Como a pílula anticoncepcional funciona?

A pílula anticoncepcional é um medicamento cuja principal função é prevenir a concepção. Sua composição é uma combinação de hormônios que trabalham juntos para impedir a ovulação e tornar o muco cervical mais espesso, impedindo que os espermatozoides cheguem até o óvulo.

Este método proporciona à mulher total controle sobre sua condição reprodutiva. Quando utilizado de forma regular e correta, este método contraceptivo apresenta uma eficácia de 98%, além de diminuir a ocorrência de acne, cólicas e o risco de anemia que algumas mulheres apresentam devido à grande perda de sangue durante a menstruação.

O anticoncepcional causa infertilidade?

Pelo fato de o anticoncepcional impedir que a mulher entre em seu período fértil, uma vez que inibe a ovulação, existe certa confusão sobre a causa da infertilidade e o uso do medicamento. Muitas pessoas acreditam que o uso prolongado do anticoncepcional pode tornar a mulher infértil, ou seja, incapaz de engravidar no futuro. Entretanto, isso não é verdade.

​Um estudo realizado analisou mulheres que pararam com o anticoncepcional oral após o seu uso. Aproximadamente 21% delas conseguiram engravidar em seu primeiro mês fértil e as outras 79% conseguiram conceber em menos de um ano.

Uma vez que exista o desejo de engravidar, é recomendado que a mulher espere pelo seu próximo ciclo menstrual para se certificar de que a menstruação e a ovulação estão ocorrendo normalmente.

O que pode atrapalhar as chances de uma gravidez?

Existem diversos fatores que podem dificultar as chances de gravidez. Eles podem envolver peso, idade, tabagismo, alcoolismo, alimentação, uso de medicamentos, todos os outros problemas relacionados à infertilidade e até mesmo características genéticas.

Ao notar dificuldade de engravidar, recomendo que procure um especialista para uma avaliação de si mesma para saber se alguma dessas condições pode estar interferindo na concepção.

Doenças que podem ter sido mascaradas ou terem seus sintomas diminuídos com o uso da pílula anticoncepcional também podem atrapalhar a ocorrência de concepção. As mais comuns são a Endometriose e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Também pode ocorrer de pacientes com falência ovariana prematura (menopausa precoce) não perceberem seus sintomas e alterações nos períodos menstruais por estarem com ciclos regulares devido ao uso da pílula.

idade é outro motivo: a partir dos 35 anos a fertilidade feminina diminui devido a uma diminuição na qualidade e quantidade de seus óvulos.

O que fazer quando não se consegue engravidar?

Muitos casais podem ficar frustrados com a ideia de não serem capazes de conceber mesmo após várias tentativas. Geralmente é possível que a gravidez ocorra logo no início ou até um ano após a primeira tentativa. Quando a gravidez não ocorre após 1 ano de tentativas ou após 6 meses de tentativas em mulheres acima de 35 anos, aconselho que procure uma clínica especializada em reprodução humana.

A infertilidade é um problema que afeta de 12% a 15% dos casais, mas a boa notícia é que existem diversas opções de tratamentos individuais para serem exploradas, indicadas de acordo com avaliações específicas. Alguns exames são solicitados para detectar possíveis problemas e chegar a um diagnóstico.

Não é preciso se sentir culpada se este for o seu caso, muito menos em relação à escolha feita do uso prolongado do anticoncepcional. O tratamento para infertilidade é realizado de maneira que respeita as condições fisiológicas da paciente. A identificação do problema trará direções para escolher as melhores soluções dentro da medicina reprodutiva.

Agora que você já sabe que não é verdade que o anticoncepcional causa infertilidade, que tal ajudar outras pessoas a se informarem sobre o assunto? Compartilhe este post nas redes sociais e marque as amigas que fazem uso do medicamento!

Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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