Afinal, o que é o ciclo anovulatório?

Afinal, o que é o ciclo anovulatório?

A dificuldade de engravidar é o principal motivo pelo qual os pacientes procuram meu consultório, em busca de respostas e soluções. A infertilidade conjugal pode ser causada por fatores masculinos, femininos ou por uma combinação de ambos, sendo importante investigá-los por meio de todos os recursos que temos, como entrevista, exame físico e exames.

Muitas das causas de infertilidade estão ligadas ao ciclo menstrual da mulher e aos hormônios envolvidos no processo. Dentre esses problemas destaco a anovulação como uma causa importante e silenciosa da infertilidade.

Hoje falarei sobre o ciclo anovulatório, por que ele acontece e como tratá-lo. Acompanhe!

O que é o ciclo anovulatório?

Explicarei como funciona um ciclo menstrual normal primeiro para que o ciclo anovulatório possa ser compreendido depois.

Os ovários possuem diversos folículos, que contêm, cada um deles, um óvulo em seu interior. A cada ciclo menstrual, um desses folículos cresce e leva ao amadurecimento do óvulo que está em seu interior, até que esse folículo se rompe e o óvulo é liberado (ovulação). O ciclo menstrual normal depende da ação coordenada do hormônio folículo-estimulante (FSH), do hormônio luteinizante (LH), estrogênio e progesterona. Esses hormônios estão presentes em diferentes níveis, nos diferentes momentos do ciclo menstrual. A ovulação ocorre após o pico de LH, normalmente 14 dias antes da data prevista para a próxima menstruação.

O ciclo anovulatório é o ciclo menstrual no qual a mulher não libera o óvulo. É comum que a mulher não libere um óvulo em algumas menstruações (por ano, as mulheres liberam cerca de 10 óvulos). Porém, quando a mulher passa a não ovular em todos os ciclos, condição denominada anovulação crônica, ela pode apresentar um quadro de infertilidade.

Quais as causas?

Na maioria dos casos, os ciclos anovulatórios são causados por desequilíbrios hormonais ou químicos. Nesse caso, a não liberação do óvulo pode acontecer devido a uma baixa produção de folículos pelo ovário. Essa baixa produção, por sua vez, é causada por problemas na hipófise (glândula que libera hormônios que estimulam os ovários) ou no hipotálamo (região do cérebro que estimula a hipófise).

As outras causas da anovulação são os problemas funcionais, que são os responsáveis pela minoria dos casos, e incluem:

  • situações estressantes ou choques emocionais;
  • cessação do funcionamento do ovário, muitas vezes sem causa definida;
  • perda de peso brusca ou subnutrição;
  • obesidade.

Como identificar?

Muitas mulheres só percebem algum problema quando começam a tentar engravidar e não conseguem. Algumas vezes há uma anormalidade no ciclo menstrual, com alterações entre ciclos curtos e longos, mas mantém-se a perda de sangue.

Os sintomas que podem estar presentes são:

  • amenorreia (falta de menstruação);
  • redução do número de menstruações e fluxo menos intenso;
  • menstruação irregular;
  • falta da sensação de peso nos seios e mastalgia (dor nos seios) no período pré-menstrual (sintoma muito comum nesse período);
  • aumento da quantidade de pelos no corpo.

Qual o tratamento?

Sempre reforço que o mais importante é o diagnóstico preciso e precoce, para que o melhor tratamento possa ser iniciado assim que possível, sendo direcionado para a causa da anovulação.

O tratamento é realizado por meio da correção da alteração que esteja levando à anovulação. Quando esta correção não é possível, o tratamento é realizado com medicações que estimulam o ovário ao desenvolvimento de um folículo e amadurecimento do óvulo. Considera-se ideal que o tratamento leve ao amadurecimento de apenas um óvulo por ciclo (mono-ovulação). A super-estimulação do ovário não é recomendada, pois há maior chance de ocorrer gestação múltipla, que está associada a outros riscos.

O ciclo anovulatório pode ser uma causa silenciosa de infertilidade, já que muitas vezes não está associada a sinais e sintomas específicos.

Se você gostou do meu texto de hoje e tem interesse no assunto, continue no site e leia o texto “3 dicas para diminuir a perda da fertilidade feminina“!

Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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