Aborto de Repetição: o que é, quais os sintomas e como tratá-lo?

Aborto de Repetição: o que é, quais os sintomas e como tratá-lo?

A gestação é um momento de grande expectativa para as mulheres — principalmente para as que tentaram engravidar por meses, como percebo em minha prática diária.

As futuras mães buscam formas de cuidar-se e manter uma criança saudável até o fim. Infelizmente, não é incomum a ocorrência de abortos espontâneos, algo que traz grande estresse físico e emocional para minhas pacientes e seus familiares.

É fundamental atentar-se à recorrência de perda gestacional, já que ela pode indicar um caso de aborto de repetição. No texto de hoje, falarei sobre esta condição, suas causas e tratamentos. Confira!

O que é aborto de repetição?

O primeiro conceito importante de ser entendido é o de aborto espontâneo: ele diz respeito ao fim acidental de uma gravidez antes da 20ª semana de gestação, ou à perda de um feto com peso menor que 500 gramas.

O aborto espontâneo acontece em 15 a 20% das gestações naturais, geralmente antes da 12ª semana de gestação. Já o aborto de repetição é diagnosticado quando há 3 ou mais perdas gestacionais consecutivas antes da 20ª semana de gravidez. Atinge 2 a 4% das gestações em nosso contexto.

Quais as suas causas?

Existem diferentes etiologias, mas ainda há muitos casos em que não é possível identificar uma. É isso que chamamos de causa idiopática. Entre as causas identificáveis, destaco:

Anormalidades anatômicas

Anomalias no útero da mulher podem causar o abortamento de repetição (útero em formato de T, arqueado, etc). Elas mostram-se presente desde o nascimento da mulher ou surgem posteriormente devido a miomas extensos.

Causas endócrinas

Os hormônios sexuais  — estradiol e progesterona — participam da regulação de fatores de crescimento e de diferenciação dos tecidos embrionários, necessários ao desenvolvimento do feto. As alterações nos hormônios tireoidianos também estão associadas a abortos. Assim,  anomalias hormonais podem causar abortos.

Anomalias genéticas

O embrião precisa de 23 pares de cromossomos normais para seu desenvolvimento. A formação de um embrião com número maior ou menor que isso pode levar ao aborto — e este fenômeno pode estar relacionado à idade avançada da mulher na gravidez assim como a fatores masculinos importantes de infertilidade.

Trombofilias

Essa é uma pré-disposição genética para desenvolver trombose vascular, principalmente durante a gravidez. A vascularização sanguínea é prejudicada devido a esta condição e, assim, acontece o aborto. Nestes casos, as perdas costumam ser em fases um pouco mais avançadas da gravidez.

Causas infeccionas

Essas são infecções genitais que comprometem a imunidade materna e causam abortos. Apresentam-se das mais variadas maneiras.

Causas imunológicas

As causas imunológicas são aquelas que levam o organismo materno a rejeitar as células do embrião e, assim, causam a perda do feto.

Hábitos de vida

Aspectos da rotina da grávida, como o fumo, sedentarismo, uso de drogas ou peso alterado, por exemplo, podem levá-la a esta condição.

Fator masculino – fragmentação de DNA espermático

Atualmente considera-se que o fator masculino possa estar associado às perdas gestacionais recorrentes. O sêmen de homens com elevação dos níveis de fragmentação do DNA espermático podem ser os responsáveis pelos abortos. Vale destacar que esta alteração na qualidade espermática não é detectada no espermograma convencional.

Como é feito o diagnóstico?

Para realizar o diagnóstico de aborto de repetição em minhas pacientes, normalmente é consulta detalhada, a fim de coletar informações sobre seu histórico gestacional e hábitos de vida do casal.

Posteriormente, exames são realizados para investigar anormalidades relacionadas às causas citadas anteriormente:

  • dosagem dos hormônios relacionados à manutenção da gestação;
  • exames de imagem para identificação de anomalias uterinas (ultrassonografia transvaginal, histerossalpingografia, vídeo-histeroscopia, etc);
  • exame de cariótipo para a mulher e seu companheiro;
  • exames de sangue para avaliação de risco aumentado de trombofilia;
  • exames de sangue para identificação de fatores infecciosos e imunológicos.
  • Pesquisa de fragmentação de DNA espermático

Quais as formas de tratamento?

Escolho o tratamento de acordo com o histórico da paciente e a causa dos abortos de repetição. Em alguns casos, a mudanças de hábitos é suficiente para a garantia da manutenção de uma gestação saudável.

Em outros casos, é necessário utilizar técnicas de reprodução assistida para aumentar as chances de uma gravidez bem-sucedida, como a Fertilização in Vitro seguida de biópsia do embrião desenvolvido. Neste caso, é realizado um teste genético em células do embrião antes da transferência do embrião para o útero materno. Isso possibilita que apenas embriões saudáveis sejam implantados no útero.

Ressalto que, menos após o diagnóstico de aborto de repetição com mais de 3 perdas gestacionais, a mulher ainda possui cerca de 70% de chances de ter uma gravidez de sucesso. Por isso, procurar ajuda especializada para diagnóstico e tratamento é essencial.

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Especialista em reprodução humana, habilitado e capacitado para atender casais com infertilidade, faz parte das mais importantes sociedades relacionadas a área de Reprodução Assistida como a American Society for Reproductive Medicine, European Society of Human Reproduction and Embriology, Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Brasileira de Urologia.

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